A questão dos "h" no início das palavra é que não são mudos. Existe uma diferença sonora ao dizeres "hoje" (que soa mais ou menos como oi-je) e "oje" (que soa como ô-je)!
Hum. Eu pronuncio "hoje" como "ô-je". Oi-je?
LOL
Quanto ao hífen. E as palavras como 'mostra-te'? Vamos passar a escrever como os brasileiros agora? 'Te mostra'? Bom, isso resolveria o problema (irritante) das pessoas confundirem palavras como 'falaste' com 'falas-te'... Penso eu.
lool teria a sua piada (tristemente...

)
A situação do 'h' deriva sobretudo de questões históricas e da etimologia dos vocábulos. Há quem defenda que não tem qualquer valor fonético mas até o '0' é um número nulo/neutro e tem o seu valor. Quero com isto dizer que não é por nada que palavras estrangeiras com 'h' incluído (como, por exemplo, no inglês
think, hide, home, thought, though...) sofrem alterações fonéticas mais notadas por se dar - vai-se lá perceber porquê
talvez porque se dê mais atenção à sua formação que à da nossa língua... - mais atenção a isso. Se pegarmos no português, muitos dos agás efectivamente parecem não nutrir um efeito como os que iniciam palavras como
home e
hide (aspiradas) mas isso veio sobretudo da questão evolutiva e do tipo de língua que os latinos pre-descreveram. As coisas não aconteceram por acaso e o próprio valor da palavra quebra quando se lhe tira uma letra (exemplo de 'acto' sem 'c' e de história sem 'h' e com 'e'. Note-se o enfraquecimento fonético).
Porém, se se pode dizer que numa posição inicial pouco valor revela, numa posição medial notar-se-á nitidamente o efeito do h (tal como - no limite, claro está, da comparação linguística - acontece no inglês): a
cho, a
lheio, ni
nho. O 'c', o 'l' e o 'n' ganharam novos valores a partir da junção com o 'h'. Assim sendo este terá de ter também a sua significância.
Ora, se me dizem que é natural evoluir, concordarei. Se me dizem que é importante trabalhar uma língua para a melhorar, concordarei, se me dizem que é preciso emendar eventuais lacunas, concordarei. Porém, citando outro usuário:
Nota: Para quem gosta de referir mudanças ortográficas anteriores como argumento, lembrem-se que em 1911 e em 1943 a maior parte da população era analfabeta e provavelmente não havia nem um 1/10 do material que é publicado em português hoje em dia. É muito diferente fazer uma reforma nessas condições (onde a maior parte das pessoas nem nota a diferença) do que fazê-la actualmente. Veja-se o que aconteceu na Alemanha.
acrescento apenas que a complexidade do português se relevou ao longo dos anos, ao longo da história por todo o desenvolvimento e transformação vocabular e gramatical para melhorar e aumentar o nosso próprio léxico. O que se está a fazer - ironicamente mesmo quando afirmando que se quer distanciar de alguns pontos brasileiros - é precisamente reduzir-nos ao que a língua deles é (não no sentido da língua deles ser negativa mas no sentido da nossa ser mais complexa e, claro, a sua principal base evolutiva).
De todas as modificações só concordo com o enquadramento das letras 'k', 'w' e 'y' e com algumas rupturas de palavras por justaposição e aplicação de outras por aglutinação. Penso ser uma situação curiosa e importante ainda que com os seus devidos limites. Aplicar isso a tudo será igualmente uma generalização e uma quebra de valores fonéticos e semânticos (uma vez que o valor da palavra não nutrirá o mesmo efeito).
Penso que há limites para tudo e esses passam pelo conhecimento da história. Diz-se que o latim morreu mas, sendo a nossa base, é igualmente parte (e portanto está vivo) do nosso todo linguístico enquanto portugueses. Convinha-nos saber preservá-lo. Não é ser retrógado como alguns colocaram a hipótese de o ser. É tudo no âmbito de 'evolução, sim, mas com sabedoria.'